sexta-feira, 20 de junho de 2014

Desenlace







A Lua
- Dizem os astrônomos,
Nasceu da colisão cósmica de dois planetas.

A Lua
- Dizem os românticos,
É grande amor impossível:

Dois mundos que se encontram,
E se destroçam, porque se amam;
Mas finalmente perdem-se um no outro,
E produzem essa prova celeste,
Tão bela quanto alegre e melancólica,
Da possibilidade lunática do amor.

Ou quem sabe a Lua
Seja a sombra de uma Supernova,
A recordação de um amor passado,
Ou futuro,
Jamais vivido, ou sempre adiado...

A Lua
- Digo eu,
É um lindo corpo celeste,
Mas, (com o perdão da rima pobre,)
Eu prefiro a atração
Entre nós, corpos terrestres...

A Lua, vista de longe, é plena, não tem falhas:
É a alma das estrelas,
Suspiro dos amantes,
Refúgio dos poetas...

Fácil é amar o espectro da Lua,
A Lua perfeita,
Que se esparrama, plácida e luminosa,
Em cada lago e coração,
Não fazendo distinção entre os quentes
E os de gelo.

Quem amará, porém,
As crateras lunares?

Quem amará, da Lua,
Seus defeitos, suas falhas? 

Quem amará a Lua devassa?
A Lua senil, a Lua beata?
A Lua soturna, a Lua que passa?
 
Aterrisar a Lua. Navegá-la.
Paisagem nua, realidade crua.
Ar rarefeito, sufoco no peito, amor desfeito?
- Mas os girassóis plantados serão eternos.





Santiago, 12-06-2012

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